Sunday, March 4. 2007
Quando te perguntarem o que é família, criança,
Não diz Paz, amor, harmonia ou cooperação...
Diz apenas pai, mãe, irmãos, ora!
Tua metáfora impensada
Vale mais que mil clichês...
Clichê não te cai bem, criança, sorri, sente
nada como esse sorriso banguela
que amolece o coração da gente.
Friday, March 2. 2007
Poema da J.
Viva a Holanda!
Onde a Filosofia pode ser aplicada
E as leis de trânsito foram anuladas!
Viva a Holanda!
Onde a maconha é legalizada
E as putas têm carteira assinada!
Viva a Holanda!
Que logo mais será castigada!
A Sodoma e Gomorra moderna!
Talvez pela ira de deus
Talvez pelo aquecimento da terra!
Viva na Holanda,
pois ela logo será inundada!
Friday, March 2. 2007
ETERNIDADE
Transamos com partes do corpo,
Partes, que, todas juntas,
não formam o todo.
Quisera trepar com uma risada,
com uma piada interna,
com a frase completa pelo outro.
Quem sabe, então, com uma viagem,
a memória dividida,
o momento sempre lembrado
de um silêncio que vale ouro.
Quem aparece, muitas vezes, no entanto,
é o outro silêncio, o descontente,
que nos lembra de carências e defeitos,
que não somos perfeitos,
e, assim, ficamos só com o corpo
Todavia, quando nos formos,
o que fica é o corpo.
Pois de saudade antecipada,
Sofremos e aproveitamos,
brindamos a bunda e o caralho a quatro,
no quarto, de segunda a segunda,
e pra ser bem preciso,
preciso dizer: fodemos com tudo.
Mesmo porque tudo nesse mundo muda,
como as estações do ano, e como
as estações do metrô, o nosso metropolitano,
afundam (e quem sabe um dia a Barra
aFunda)
Mas eu fui longe desta vez,
e o que eu queria te dizer,
é que, depois que passa o turbilhão,
ainda com nossas roupas no chão,
e eu te abraço e você me abraça,
é aí que tudo é divino, e tudo é maravilhoso,
E o gozo ainda fresco, a memória da carne,
da risada, da folia, e até do odioso,
se juntam no momento, de momento,
e participam da eternidade.
Friday, March 2. 2007
Esta aqui é a segunda parte do poema chamado "Urbanas", da poeta J. Espero q gostem:
2.
Minha vida tá sempre mais ou menos
Mas não reclamo porque quando muda é pra pior
Sô classe média-média urbana
Tô sempre no meio
Acomodado no meu muro,
Eu não desço, não
Não moro em morro, nem em mansão
O meu apê é pequeno,
Meu carro não tem gasolina
Mas não pego busão
Metrô é meio pra quem tá
No meio da confusão
Me assaltaram o celular
E eu tô na prestação!
Na estação vô reclamando
(meu discurso nunca muda)
Não sô crânio, mas tenho educação
(pelo menos é o que dizem)
E assim vou seguindo,
Com rimas fáceis, repetindo o que me foi dito
Que eu sou o futuro, que sou cidadão
Então, fim de ano na tv
Faço uma doação
Assisto o show e me emociono com imagens melosas
E mês que vem, na praia grande, curto a eleição
No mundo, nada muda
Não depende de mim
Alienada classe média mede o tempo de vida
E a poupança que não cresce junto com a inflação
O meu salário, mixaria, não ajuda em nada
E os meus pais, em casa
Não me querem mais
Minha vida tá pra menos
E o governo fala pra eu não desistir
Quem sabe um dia eu não fico famoso
E faça do mundo um lugar melhor pra se viver?
Mas só de pensar nesses crimes que mostram na tv
Vejo que ainda tenho muito a perder
E é melhor não arriscar
...
É, minha vida tá sempre
Mais ou menos
E eu tô sempre no meio
Sempre no muro.
Saturday, September 2. 2006
A Volta do Ladrão de Guardanapos
Poeta encarcerado,
O Ladrão de Guardanapos sofre calado;
Não saio, não saio.
Tenho medo dos vampiros,
Dos mortos-vivos, de ser caçado.
Se tivesse pena, ou espada,
Se Deus me ajudasse,
Se me desse uma saída
Desse pesadelo, dessa piada
De mal gosto, desse mau agouro.
Talvez uma palavra afiada,
Me libertaria da Sol-cidade
E ficasse livre de verdade
pra poematizar com gozo
Livre de toda maldade
Traria palavra bonita,
Poema de Noite, Poema de Fruta,
Sobre Poetas e Putas,
Lembranças de Poços,
Memórias de Moço,
Juntaria tudo num Balaio,
Junto com meu Macaco,
Faria Tudo Belo e Novo
e morreria de novo.
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